quarta-feira , 12 dezembro 2018
Home / Destaque / Amor em quaisquer circunstâncias…

Amor em quaisquer circunstâncias…

Por Clovis Medeiros

A reportagem deste jornal esteve participando do encontro natalino promovido pelo CRAS de Tuparendi, entre profissionais que atuam na àrea, familiares, autoridades e os principais homenageados: crianças e adultos que apresentam alguma limitação psicológica ou física. O repórter, que assina esta matéria, é padrinho de um jovem desde os tempos da APAE, o Miguel. É difícil descrever a humildade, a pureza daquele ser humano. Sentados na mesma mesa durante o almoço, os padrinhos perguntaram: o que gostaria de ganhar como presente de Natal? ___Qualquer coisa, respondeu ele. Não se preocupem, apenas ficaria feliz se vocês fossem lá em casa me visitar. Simples assim, sem dissimulações, sem interesse que não o da companhia, da atenção, do respeito. Todos nós temos as nossas carências afetivas.

Miguel apresenta um pequeno déficit de atenção, um QI abaixo da linha considerada mediana, um retardo mental moderado. Então, não fez o que faz a maioria dos meninos e jovens. Não jogou bola, não montou à cavalo, não andou de bicicleta. Mas naquele dia as pessoas presentes assistiram a uma apresentação teatral dos alunos daquela escola especial. Uns, como o Miguel, outros com limitações mais sensíveis, alguns cadeirantes desde crianças, outros utilizando aparelhos para sua locomoção, muitos sendo carregados pelos pais. Todos desempenharam seu papel de atores, cantaram,  com uma dedicação cujo resultado foi a emoção quase unânime dos presentes. Ao olhar para o lado notava-se a angústia das pessoas, que num desabafo sincero, numa explosão irremediável, naquele mixto de incompreensão e inconformAmor em quaisquer circunstâncias.idade, revelavam suas mágoas indefiníveis através da lágrima, essa que é a própria essência do sofrimento. Há que ter o coração muito duro, desprovido de sensibilidade, para não se emocionar.

Este texto tem uma intenção, sim. A de que o leitor sinta o que todos os presentes sentiram naquele dia, na Sede Social dos funcionários da Prefeitura de Tuparendi. Uma emoção boa, verdadeira, causa para reflexão. Pensem um minuto nos seus filhos, saudáveis, bonitos, estudando, vislumbrando um futuro bom. Somos privilegiados. Mas vamos nos colocar na situação de muitas mães e pais daquela pessoas que lá estavam. Ao lado deles, cuidando deles, mesmo sabendo que muitos não vão melhorar, pelo menos de forma considerável. Mas muitas daquelas mães e aqueles pais transformam a realidade numa ilusão, o sonho de que um dia seu filho possa melhorar. Uns sim, irão evoluir, outros não. É a dura realidade. Mas fica claro quais os sentimentos que permeiam a relação dos pais com seus filhos. É difícil caracterizar e conceituar tamanho afeto. Imaginem a rotina de algumas mães, uma rotina que aumenta o sentimento materno de amor pelos seus filhos. E como é importante a participação da família no universo das pessoas com limitações. Isso contribui com o crescimento, evolução, superação. Aceitação no contexto familiar e acolhimento são essenciais no processo de crescimento das pessoas com necessidades especiais. E esse fato, testemunhamos naquele dia.

Por tantas razões a palavra de ordem deve ser solidariedade, admiração. Todos devemos ajudar sistemáticamente nesse processo. Médicos, Poder Público, funcionários, população, família. Há que se respeitar os direitos humanos mais básicos desses indivíduos e isso só se sustenta sem a omissão da sociedade.

 

 

Comentários

comments

Veja Também

Fabrízio participa de Seminário e reunião com técnicos do BRDE em Porto Alegre. 1

Fabrízio participa de Seminário e reunião com técnicos do BRDE em Porto Alegre

O  Vice-prefeito de Tucunuduva, Fabrizio Gazzola,  esteve em Porto Alegre na semana que passou para ...