quarta-feira , 26 fevereiro 2020
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Chuvas retomam ânimo dos produtores e soja segue em desenvolvimento

Com 99% da área prevista para a safra de 5.978.967 hectares já plantada, as lavouras de soja no Rio Grande do Sul estão 56% na fase de desenvolvimento vegetativo, 34% em floração e 10% em enchimento de grãos. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (16/01), em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), na região de Santa Rosa, as condições físicas do solo em termos de retenção de água têm estabelecido diferentes condições de desenvolvimento às plantas. Em parte das lavouras em desenvolvimento vegetativo, vem ocorrendo murchamento de folhas; naquelas mais adiantadas, tem havido abortamento de flores nas primeiras camadas. Em solos mais rasos ocorre morte de plantas devido ao déficit hídrico (reboleiras). Em geral, o desenvolvimento das lavouras de soja ainda é satisfatório, ante a falta de umidade e às altas temperaturas ocorridas nas últimas duas semanas. A permanência dessas condições de tempo pode resultar em perdas de produtividade. A irregularidade de chuvas indicará os percentuais de perdas.SL - Encruzilhada do Sul - Emater Ascar

Em Tucunduva registros apontaram uma variação dos índices em diferentes regiões. Na localidade de Esquina Gaúcha, foi registrado 89 mm de chuva durante esta  semana, enquanto que na cidade registros apontam um acumulado de mais de 100 mm no mesmo período. Já em Tuparendi, segundo registro do aposentado Iraldino Gaviraghi,  choveu o equivalente a 104 mm. na semana, com um acumulado de 186 mm no mês de janeiro.

Em outras regiões como  Ijuí, a cultura da soja foi bastante afetada pela estiagem, comprometendo o desenvolvimento das lavouras plantadas em outubro. Os produtores retomaram as aplicações de fungicidas de forma preventiva. Há registros de ataque de ácaros e tripes. Na de Soledade, as condições do tempo ainda não permitiram concluir os plantios previstos para a safra, mas a boa notícia do período foi o volume de chuva na região (de 40 a 100 milímetros), amenizando de forma parcial os reflexos da estiagem, principalmente na região do Baixo Vale do Rio Pardo, onde há registros de mortes de plântulas em lavouras com semeadura tardia. Em geral, evidenciaram recuperação as lavouras em desenvolvimento vegetativo que tiveram crescimento e desenvolvimento reduzido no período da estiagem. Há registro de baixa incidência de pragas, não sendo necessárias medidas de controle.

No milho, apesar das chuvas ocorridas no Estado, os acumulados não revertem o déficit hídrico em boa parte das lavouras, que tem prejudicado o desenvolvimento da cultura. Totalmente implantada no RS, a cultura do milho encontra-se 20% em germinação e desenvolvimento vegetativo, 13% em floração, 28% em enchimento de grãos, 26% maduro e 13% dos 771 mil hectares já foram colhidos.

Na Regional Administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, que corresponde a 10% da área cultivada com milho no Estado, a cultura está em maturação em 50% das lavouras, e granação em 30%. O potencial produtivo varia muito; diversos municípios apontam perdas superiores a 50% e em alguns no Corede Celeiro não há perdas. A colheita do milho avança, chegando a 17% da área cultivada para produção de grãos e 64% para silagem. As lavouras colhidas para silagem apresentam rendimento de 25 a 30 mil quilos por hectare, muito abaixo da estimativa inicial. A massa verde está desidratada, com consequente perda de qualidade. Áreas da região Celeiro apresentam boas produtividades, e a colheita ultrapassa 35% das lavouras em alguns municípios. Com a melhora das condições de umidade do solo, os agricultores estão manejando as áreas para o segundo plantio da cultura.

Na região de Santa Rosa, maior produtora de milho do Estado, com 15,4% da área, a cultura está 42% em maturação, com a colheita avançando para 45% das lavouras, com leve redução no rendimento, devido à baixa umidade do solo nos últimos dias e à ocorrência de poucas chuvas, atingindo lavouras em plena floração e formação inicial do grão. Tal quadro pode reduzir a produtividade do milho safrinha e das lavouras semeadas mais no tarde, que se encontram nos estágios reprodutivos e de enchimento de grãos, notadamente as que mais sofrem em função da restrição de umidade.

BOVINOCULTURA DE LEITE – A queda da oferta de massa verde das pastagens durante o recente período de estiagem ocasionou queda de produção leiteira na maior parte do Estado. A redução da produção leiteira foi estimada em torno de 17% nas regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Santa Maria e Lajeado, em 20% na de Soledade e acima de 25% na de Porto Alegre. Nas demais regiões, os índices ficaram em torno de 10% ou menos. Com a melhoria da oferta de pastagens propiciada pelas chuvas da semana, a produção começa a aumentar novamente. Muitos produtores mantiveram os níveis de produção recorrendo à suplementação alimentar, porém com custos mais elevados.

Outro fator que contribui para a diminuição da produção é o desconforto térmico devido às altas temperaturas. Para amenizá-lo, os criadores recorrem ao manejo das vacas para o pastoreio preferencialmente nas primeiras horas da manhã e à noite, à disponibilização de água à vontade e à utilização de áreas sombreadas.

Foto: Carlos Corrêa da Rosa, da Emater/RS-Ascar

 

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