sexta-feira , 20 julho 2018
Home / Colunas/Artigos/Esportes / Clóvis Medeiros: Sobre elefantes brancos…

Clóvis Medeiros: Sobre elefantes brancos…

Obras inacabadas já fazem parte da paisagem no Brasil. No ano passado andei pelo norte do Brasil. Específicamente Tocantins e Maranhão. É impressionante a quantidade de esqueletos inacabados com placas enormes anunciando qual o órgão que financia aqueles monstrengos, que iniciaram, mas não acabaram.  Hospitais, escolas, presídios, rodovias, pontes….um horror. Numa cidadezinha, não lembro o nome, próxima a Palmas, a capital de Tocantins, me apresentaram uma fazenda cuja meta seria a criação de rãs. Colunas de concreto, pavilhões inacabados e abandonados, enormes, sem propósitos, sem mostrar a que vieram. Fiananciados pelo BNDES, (sempre ele). Segundo me contaram seria um empreendimento da senadora Kátia Abreu. O dinheiro sumiu, a Bolsa caiu, a moça pariu. Lembram? Nem sapo havia lá, pois o clima é muito seco. Essas imagens são corriqueiras  no Norte e Nordeste do Brasil. Dinheiro roubado, desviado, má versação do dinheiro público. Dinheiro do contribuinte. Existe outro? Obras se deteriorando pelo tempo, projetos mal feitos sem preocupação com o dinheiro do contribuinte. O governo quando “investe”, investe mal, gasta mal. O jornal O Globo, de segunda feira trás a informação de que o governo precisaria investir 144 bilhões de reais para concluir as sete mil obras paradas, só na esfera federal.

                 Muitas obras públicas custam uma fortuna e não servem para nada. Não beneficiam a população na proporção do tanto que custaram. O título da matéria lembrava ”elefantes brancos”, prédios do governo que começam mas não terminam nunca. Em Rio Grande, sul do Estado do RS, a construção de um prédio destinado a abrigar o TRF, Tribunal Regional Federal, começou em 2003.A obra já  consumiu 25 milhões de reais e está parada porque a empresa que ganhou a licitação faliu. O arcabouço do que seria o prédio é hoje um esqueleto se deteriorando á céu aberto. Nós pagamos a conta. E ninguém vai para a cadeia!

                Conheci em Maceió o “Papódromo”, um monstrengo, sem graça, construído em 1991 exclusivamente para receber o Papa, onde ficaria sentado por 25 minutos. Custou aos cofres públicos 39 milhões de reais, uma engenhoca que nunca mais foi usada para nada. Ouvir sobre medicamentos com prazo  vencido tornou-se rotina. Andei lendo que seis distribuidoras de energia, que atendem a treze milhões de pessoas no Acre, Amazonas, Piauí, Rondônia, Roraima, e que são subsidiárias da Eletrobrás, devem 30 bilhões de reais e causam, juntas, um prejuízo ao país de sete milhões de reais por dia. Seiscentos e noventa reais por minuto. Contam com onze mil empregados, pródigos em remuneração salarial. Pasmem! Recebem até prêmios por lucros inexistentes. Me lembra da CEEE. O legado desse descalabro está aí: prejuízo socializado. Como os socialistam gostam. Enquanto isso as tarifas de energia continuam subindo, pesando no bolso dos brasileiros. A desculpa esfarrapada para ingênuos verem é a falta de chuva, a alta do dólar. Palhaços!

                Na fauna deTuparendi também temos o nosso “elefantinho”. Na área do futuro Parque de Exposições, uma obra, que já custou mais de meio milhão de reais, continua sem conclusão. A ordem de início da obra foi dada em 20 de Outubro de 2014, cujos recursos de origem seriam do município e do FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A empresa ganhadora da licitação foi a JDZ, Empreendimentos e Construção Ltda. A referida empresa teria entrado em falência, e a obra continua até hoje inacabada. O fato chocante é a constatação de que alguns itens da construção estão se deteriorando, e haveria a necessidade de restauração com a injeção de novos valores. Alguma novidade?

                Sugestiva a discussão sobre a informação de que a quadra de vôlei não serve para a prática do esporte, pois as medida são esdrúxulas. Não servem para jogos de vôlei, nem para futebol de salão, são insuficientes, limitadas. As medidas estão erradas. Projeto nacional? Sim. O que não muda a proporção do vexame e do descalabro do mau uso do dinheiro público. Do nosso dinheiro. A impressão que se tem é de que o “elefante” servirá para as crianças da creche brincarem de bolinha de gude.

                Clóvis Medeiros

coluna do clovis

Comentários

comments

Veja Também

14 - consulado do inter

Consulado do Inter de Tucunduva promove festa com presença de ex-jogadores do Clube

O Consulado do Internacional de Tucunduva, que tem como Cônsul o jovem Andrei Cembranel, estará ...