terça-feira , 25 setembro 2018
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Clóvis Medeiros sobre viagem a Europa: Não vou esquecer nunca mais…(parte 1)

Confesso que andava com vontade de viajar. É um dos meus vícios, os outros são menos danosos: tomar minha cerveja, gostar da minha família, devorar livros, trabalhar enquanto puder. Quando começo a ficar um pouco nervoso, às vezes não consigo dormir, às vezes não consigo acordar, às vezes não consigo comer, às vezes não consigo parar de comer, se amanheço com uma cara  de papel selofane amassado, é chegado o momento de arrumar minha malinha e tomar um Rumo. Me conheço. “Nosce te ipsum”. Conhece-te a ti mesmo. Se não consigo viajar detona em mim um processo de desgraça existencial, que só melhora quando estou com passagens no bolso e os hotéis reservados.

Nunca quis ser como o coqueiro que está na entrada do meu campo em São Francisco de Assis, com raízes profundas fincadas sempre no mesmo lugar, quero ser como o Sol, a água, o vento que se deslocam sem parar.Às vezes é preciso fugir um pouco do convívio social local, bloquear os ouvidos  burburinho das fofocas rotineiras. Isolar-se um pouco faz bem. Em outros lugares encontramos tanta gente boa como aqui. Somos parte de uma grande família humana que vai além de Tuparendi. Um conselho aos meus leitores: viajem. Encontrem pessoas e lugares que nunca viram antes, saiam da clausura. Não é preciso ir longe. Mas busquem outras perspectivas. Tucunduva pode oferecer novidades aos moradores de Tuparendi. Os meios de transportes aboliram distâncias. Tão importante como viajar é ler, outra forma de viajar. É mais barato e não oferece risco de queda de avião. Leia tudo o que estiver ao seu alcance: bula de remédio, rótulo de papel higiênico, livros didáticos. Leia!

Nos últimos dias visitamos alguns países da Europa: Itália, Austria, Suiça, Alemanha. Estivemos em cidades em que a qualidade de vida é alta e o setor de conhecimento muito avançado. Milão ficou gravada em minha memória para sempre. Gosto não se , discute e cada um tem o seu, é uma questão de subjetividade. Eu não parava de tirar fotos e de apreciar aquela cidade que consegue ser moderna em esquecer seu legado histórico, seus castelos, suas igrejas medievais, seus monumentos. Sua catedral, foi concluída no ano de 1380, após 400 anos de construção. É de uma grandeza tamanha que, para que se tenha uma idéia, tem três mil esculturas de santos, esculpidas em pedra. É fascinante!

Em Nurnberg, na Alemanha, tomei algumas cervejas, (E que cervejas !), no mesmo restaurante em que a alta cúpula do nazismo jantava, tomava chopp e tramava a II Guerra Mundial. Sentei nas mesmas cadeiras, jantei na mesma mesa.Tudo está como naquela época. O prédio foi preservado dos ataques de bombardeiros. Ali se come o melhor Joelho de Porco da cidade. Uma iguaria dos alemães.

Ao final da II Guerra, no ano de 1946, alguns nazistas presos foram julgados no Tribunal de Justiça daquela cidade, a maioria condenada a morte e a sentença executada na madrugada do dia seguinte, 19 de Outubro, num prédio ao lado, que hoje não existe mais. Mas a sala de número 600, está lá, com as mesmas posições de seus móveis, cadeiras, mesas, funcionando como se fosse naquela época. Tem-se uma sensação estranha ao entrar naquele local que é um ícone da história da barbárie. Entramos porque não havia júri naquele dia. Olhar a cadeira onde sentou Himmler, Ribentropp, Hermann Goring, Jodl, Fritz Sauckel, Keitel e tantos outros do alto comando da Alemanha de Hitler e que dali partiram para a morte é sentir um momento único.

Por Clóvis Medeiros

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