quarta-feira , 23 maio 2018
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COLUNA DO CLÓVIS MEDEIROS: Das coisas do coração

Das coisas do coração…

Faz um bom tempo que venho pensando em falar desse assunto. E como atrás de uma bobagem sempre tem uma asneira, vou começar a falar de uma prima, a qual nem sei onde anda. Lembro que ela gostava muito de namorar, como toda a guria nova. Como naquela época nem existia camisinha, ganhou o primeiro filho aos 14 anos. Minha mãe nos contava que ela dizia para a mãe dela, minha tia, que era virgem. Acontece que um dia a prima ficou doente de verdade e tiveram que levá-la ao médico, na cidade, que aliás, ficava bem distante. A mãe dela aproveitou a ocasião para perguntar ao doutor se realmente a sua filha era virgem. Aí o médico confirmou: é virgem e está esperando neném. Sua mãe chorou, o pai esbravejou, mas tudo se ajeitou. O pai da criança nem esperou o filho nascer e sumiu no mundo.

Daí em diante, foi uma série de guris que vieram ao mundo, todos sem pai. Minha prima era fiel seguidora de uma filosofia que faz da libertinagem descarada e renitente, um meio de atingir a felicidade. Deixou cinco filhos com os avós, para que os criassem e foi para a cidade cuidar dos filhos dos outros. E da sua vida. Maldizia o casamento e pregava a solidão. ___”Mulher forte é mulher só”. O namoro e a promiscuidade era a ordem vigente. Reconhecia certo charme na “galinhagem”. A variedade de machos era condição fundamental para a felicidade. Não se casava para não ter que se separar.

Foi seu “modus vivendi”. Não tenho nada a ver com isso. Apenas relato. Na verdade o que fiz foi a tentativa de uma introdução do texto e já sei que me estendi demais. Desculpem. Vamos lá.

Me arrisco a falar do drama particular da separação. Pessoas se separam por convicções, por formas diferentes de entender a vida. Muitas vezes cada um acha que detém o monopólio das virtudes, da inteligência. São pessoas que poderiam estar juntas mas cujo orgulho não deixou transpor a muralha do rancor. Os pequenos desajustes se multiplicaram, faltou diálogo, humildade. Com a fragilidade das relações do mundo de hoje, a vida longa no amor exige acima de tudo coragem. Mas coragem mesmo é preciso ter quando o casamento termina. Vem o sofrimento por mais que você disfarce. Vão-se as certezas, os planos, o orgulho, a autoestima. O abalo é grande. Você vai ficar para o resto da vida pensando: será que meu parceiro já me dava pistas e eu nem notei. Ele já pensava na separação há tempos ou foi casualidade? Foi culpa minha? Onde foi que eu errei? Vem a descrença do amor à primeira vista, que nada mais é do que um eufemismo para o fenômeno chamado tesão.

“Se quer conhecer bem uma pessoa divorcie-se dela”. Os divórcios, como as guerras, fazem crescer nos indivíduos as mais insuspeitas deformidades da alma. Casais habitualmente adoráveis, transformam-se de um momento para outro em animais selvagens cuspindo baba e fúria e ansiosos por verem morta a mesma pessoa que há pouco tempo atrás juraram amor eterno. Minha avó sempre dizia:___Nunca te cases, menino, mas se por infelicidade, algum dia isso acontecer, nunca te separes. Só há um erro pior do que o casamento: o divórcio. Não há um inimigo mais temível do que uma ex mulher ou um ex marido. Os casamentos se transformam cada vez mais em feiras das vaidades, onde quase tudo é falso, a começar pelas juras de amor eterno. Enquanto os noivos se beijam, os advogados preparam os papéis do divórcio. Advogados gostam de casamentos, é claro. Pela sua lógica, quanto mais faustoso for o casamento, mais próspero será o divórcio. Desculpem se levo para o lado da comédia. Afinal é muito mais difícil falar de funeral do que de divórcio. E como dizia Charlie Chaplin:”A vida é uma tragédia quando vista de perto e uma comédia quando vista de longe”.

Queria encerrar lembrando que a luta é por estabelecer vínculo de fato. Através dos filhos, do respeito, do perdão. E quando a convivência se torne insuportável que se faça do final mais uma comédia do que um funeral. Que ambas as partes saiam do litígio com elegância, com altivez, procurando, inclusive manter os mesmos laços de amizade com os familiares, eles não se tornam seus inimigos, não os decepcione. Eles podem ter aprendido a te querer bem.

Tenho um sentimento fiel de afeição e estima por uma pessoa que se divorciou, uma amiga. Por acaso ela é a pessoa mais doce e sensível que eu conheço. Obrigado por me ajudar a escrever este texto. Parabéns pela tua capacidade de superação.

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