domingo , 17 novembro 2019
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Coluna do Garbin: Quando somos filhos e quando somos pais de nossos pais

No início da vida, os bebês contam com a proteção e os cuidados dos pais. No entanto, chega uma hora na vida, na qual a dependência dos pais, seja pela idade avançada, seja por algum tipo de doença, que permite aos filhos retribuírem todo afeto, carinho e os cuidados que receberam de seus pais durante a sua criação, desenvolvimento, até a vida adulta, até que sigam sozinhos as suas vidas.

Os pais acompanham por toda a vida o crescimento dos seus filhos, mas chega o momento que é importante os filhos acompanharem o envelhecimento, o último ciclo, a última etapa de vida de seu pai e de sua mãe, afinal, faz parte de nossas vidas, nascermos, crescermos e envelhecermos. E é justamente no processo de envelhecimento que, muitas vezes, os papéis se invertem e os filhos passam ter a responsabilidade de cuidar de seus pais.

Seria como uma espécie de retribuição aos cuidados recebidos ao longo da vida. Os pais, que sempre estiveram presentes desde o nosso nascimento, agora passaram a ser nossos dependentes, chegou a vez de ficarmos juntos a eles, tutelando, cuidando, dando todo o carinho e respeito merecido. Deveria ser uma obrigação sem peso, deveria ser lei: jamais deixá-los sozinhos. Deveria ser um gesto de leveza para todos nós zelar para que nada de ruim lhes aconteça. Embora essa premissa não seja geral, é a realidade de muitos filhos, cujos genitores já estão idosos e precisam de cuidados. Não deixemos que eles se sintam sozinhos, abandonados ou sem carinho, lembremo-nos que eles, dentro de suas capacidades e limites, tudo fizeram por nós.38 - garbin

Quantas vezes nossos pais cancelaram compromissos, planos, viagens, para não deixar os filhos sozinho? Na velhice, é a nossa vez de cancelarmos os nossos compromissos para cuidarmos dos nossos pais.

Os idosos têm a necessidade – e o direito – de serem compreendidos. Eis que é chegada a hora (chega para todos nós) de os filhos se transformarem nos “pais” de seus próprios pais. Nos ensinaram a engatinhar, dar os primeiros passos quando pequenos e chega o momento de nós auxiliarmos eles a darem passos já prejudicados pelas dores do envelhecimento ou de nos preocuparmos com uma simples caminhada do pai ou da mãe, com receio de quedas e suas consequências.

Durante nossa infância, quantas vezes nossos pais se preocuparam com a nossa saúde e constataram que não estávamos bem e precisávamos ir ao médico? Também chega o momento em que nós, os filhos, temos que perceber que nossos pais não estão bem e levá-los aos médicos, assim como controlar e dar os remédios receitados na hora certa, exatamente como eles faziam na nossa infância.

Chega o momento que temos que tirar aquele tapete que se tornou perigoso para nossa mãe ou pai se locomover pela casa. Chega o momento de deslocar um móvel para cá ou para lá para evitar um de nossos pais tropece e se machuque. Chega o momento de transformamos degraus em rampas para evitar quedas. Chega o momento de os auxiliarmos no banho, na alimentação, a se vestir, a escolher uma roupa para sair. Exatamente como eles faziam quando éramos crianças.

Quando éramos crianças também tínhamos as nossas “Tatas”, ou seja, alguém responsável por cuidar de nós na ausência dos nossos pais ou mesmo auxiliando-os. Na velhice dos nossos pais, talvez seja necessário também contratarmos “Tatas” para nos auxiliar a cuidar deles.

Pois bem, escrevi este artigo para homenagear nossa mãe, que partiu há poucos dias. E carrego comigo – e minhas irmãs também – a certeza de que tentamos ser os melhores “pais” do mundo para nossa querida mãezinha Mercedes. Oxalá todos pudessem um dia escrever sobre essa inversão de papéis com leveza e com a certeza de que assumiram essa inversão com amor profundo, como nossos pais merecem.

Por Alexandro Garbin

 

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