quarta-feira , 23 maio 2018
Home / Destaque / Família de Tuparendi dá lição de civismo

Família de Tuparendi dá lição de civismo

Por Clovis Medeiros

Para quem vai de Tuparendi para Cinquentenário, nem precisa ser um observador atento para, notar que a sua direita, na altura de Três Fazendas, uma antiga escola se deteriora esperando o moroso ritmo da Fepam para definir o processo de Licenciamento Ambiental que prmitirá o início das obras de uma indústria de lacticínios naquele local. Logo adiante, está a Vila de São Roque, tão antiga quanto muitos de seus moradores, parada no tempo, estática. Muitas placas com anúncio de”vende-se”, nos levam a crer que o número de moradores se reduz a cada dia. É uma  tendência irreversível. Sinal dos tempos. É o  movimento migratório chamado êxodo rural, ao qual nos referimos em reportagem anterior.

`Mas vamos acompanhar nosso viajante. Se a música ridícula, vazando do seu auto falante, não o confundir, logo ele vai notar uma figueira, com uma velha parada de ônibus. Ali desemboca uma estrada de chão batido, que nos leva a Lageado Cascatinha. Mas seguimos em frente, pela RS-344, em direçã a Porto Mauá.

Um quilômetro à frente, algo inusitado nos chama a atenção. No alto de um mastro rudimentar, apontado para o céu, flamula uma Bandeira Nacional. ___Olha lá, que coisa bonita! Interessante, porque não estamos na Semana da Pátria, o Brasil não está em guerra, nem estamos disputando a Copa do Mundo. Como se precisássemos de uma justificativa para cultuarmos nossos símbolos pátrios! Prova de que o nacionalismo perdeu o sentido.

À visão da bandeira do Brasil quebrou a monotomia da paisagem, uma paisagem que é traduzida mais por números, em nosso cérebro, do que de espetáculos de beleza. Olhamos, de forma automática uma área em que acabaram de colher a soja e, então ficamos imaginando quantos sacos foi produzido por hectare, quanto vai sobrar para o agricultor. Florestas desapareceram, pássaros e animais também. Simples assim. Mas aquela bandeira nos levou a outro patamar de imaginação. Quebrou a monotomia da paisagem e do raciocínio.DSC_0360

Não resistimos e como colaborador do Sentinela, fomos até a casa do autor do gesto: Clenir Antonio Dalcin e sua esposa Elenice. Pessoas finas, cultas, inteligentes, nos receberam como sempre o fazem, com urbanidade. E o repórter quis saber a razão do ato simbólico. Clenir nos fala que foi algo instintivo, sem nenhuma ambição de se tornar expoente. Falou que o ato pode representar nada ou pouco para os outros mas muito para ele. Acho que devemos resgatar valores esquecidos, disse ele. No tempo em que estudava em São Marcos,  hasteávamos a bandeira Nacional rotineiramente, aprendíamos a cantar o Hino Nacional, participávamos de desfile na cidade. Tínhamos orgulho e respeito pelos símbolos da Pátria. Hoje, ninguém dá a mínima para isso. Aliás, fala Clenir, temos que resgatar a ética, a moral, combater a corrupção. Isso está fazendo muita falta em nosso país.

E a Elenice começa a justificar sua descrença com o futuro da pátria. ___Depois de tantos anos de governos ruins, incompetentes, irresponsáveis, já estou me acostumando. Não me interessa quem foram os homens ou os partidos que nos causaram tantos danos. Sou brasileira há tanto tempo que me parece quase impossível evitar isso. Mas, mesmo assim, não fico indiferente quando assisto a um desfile de militares no Dia Sete de Setembro, quando participo dos raros atos de hasteamento da Bandeira Nacional. Não tenho culpa nenhuma dos desmandos, da indiferença, embora permaneça minha absurda aflição. Mas não podemos ficar em silêncio. O silêncio não tem substância, ele é vazio. Por isso optamos pelo gesto de hastear o pavilhão nacional na entrada da nossa propriedade. Para demonstrar que aqui moram  brasileiros conscientes de seu dever cívico, da nossa identidade nacional que nada mais é do que gostar da nossa música, do nosso futebol, do folclore, da culinária, dos ritos, dos mitos. São essas expressões que formam um patrimônio pelo qual nos reconhecemos e entendemos o sentido da palavra Nação.

O casal nos conta que seus filhos se criaram ouvindo a mensagem de civismo. Marco Antonio e Jian Carlo ouviam do pai:___Pouca coisa sei, mas tudo o que sei lhes ensino. Amem a terra em que nasceram. Respeitem tudo o que compõe nosso nacionalismo, nossos valores, raça, religião, fronteiras, nossa liberdade, nosso espírito de união, a família. Que nossas leis sejam justas para ricos e pobres e que não existam privilégios. E para personificar esses valores, exteriorizem o amor pela Pátria, se manifestem!

Quando iniciamos a conversa com o Clenir e indagamos porque ele havia hasteado a Bandeira naquele dia ele respondeu:___Porque hoje é quarta. Se fosse outro dia hastearia também. Todos os dias são dias de demonstrar patriotismo.

 

Comentários

comments

Veja Também

ctg 4

CTG Querência Xucra de Tucunduva com nova patronagem

O CTG Querência Xucra de Tucunduva estará promoveu no último sábado, 20, um jantar fandango,  ...