terça-feira , 13 novembro 2018
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Pesquisa da SETREM aponta que agroquímicos comprometem a saúde física e psíquica de agricultores

Pesquisa desenvolvida pela psicóloga Pâmela Vione Morin, docente do curso de Psicologia da Setrem, aponta que quase metade dos participantes apresentaram transtorno mental

 Uma pesquisa realizada com agricultores de Três de Maio apontou que 47,9% dos entrevistados apresentaram algum tipo de transtorno mental devido à utilização de agroquímicos. Foram identificadas queixas sintomáticas depressivas, ansiosas, subjPâmela Vione Morinetivas e isoladas, que compreendem insônia, irritabilidade, nervosismo, fadiga, dores de cabeça, esquecimento e dificuldade de concentração.

O estudo foi desenvolvido pela psicóloga e docente do curso de Psicologia da Setrem, Msc. Pâmela Vione Morin(foto), durante seu mestrado em Atenção Integral à Saúde, sob orientação da Dra. Eniva Stumm. Foram ouvidos 361 agricultores do interior do município de Três de Maio, na região Noroeste do Rio Grande do Sul. A psicóloga explica que o estudo foi delimitado ao gênero masculino, por serem eles os envolvidos na produção e expostos no contato direto aos agroquímicos.

“Constatamos também que 30,5% dos agricultores com transtorno mental comum referiram ter doenças preexistentes e 17,5% não. Em contrapartida, 35,2% dos participantes que não referiram nenhuma doença, igualmente, não apresentaram o referido transtorno mental”, explica. As doenças mais mencionadas pelos trabalhadores foram câncer, depressão, gastrite, doença cardíaca e hipertensão. Em relação aos sintomas físicos, foram mencionados pelos participantes que apresentaram transtorno mental comum: náuseas, tontura, boca seca, dor de cabeça e irritação nos olhos. No que se refere aos sintomas emocionais, foram citados: insônia, agitação, dificuldade de concentração e irritabilidade.

Os participantes estavam, na maioria, dentro da faixa etária de 40 a 60 anos. Com isso, o tempo de atividade na agricultura e a exposição a agrotóxicos foram fatores significativos para a associação de doenças preexistentes com transtornos mentais comuns. “Neste cenário da modernização da agricultura, além de vantagens, o uso de agrotóxicos traz consigo o comprometimento da saúde do trabalhador rural num todo, mas aqui enfatizo a saúde mental. Dados nacionais e internacionais apontam esta realidade, na qual a exposição pelo labor silenciosamente e a longo tempo comprometem a saúde psíquica”, argumenta Pâmela.

Este estudo foi publicado na Revista Psico, organizada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). O artigo completo está disponível para leitura e download no link: http://revistaseletronicas.pucrs.br/revistapsico/ojs/index.php/revistapsico/article/view/26814/pdf

agroquímicos

 

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