sábado , 24 agosto 2019
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SEU MUTI: A GENTE SAI DO INTERIOR, MAS O INTERIOR NÃO SAI DA GENTE.

Como muitos da nossa região, que moravam no interior e vieram morar na cidade, seu Abílio Scherer também faz parte desta geração que  “se criou lá” e hoje mora na cidade. Próximo de completar 90 anos (é isso mesmo, não tem erro de digitação, nasceu em 21 de junho de 1929), seu MUTI, como é mais conhecido, mantém algumas rotinas que tinha lá no interior, ou seja, mexer com a terra.

Cultiva com muito orgulho, uma boa horta, onde produz saladas, raízes, chás e outros temperos para o próprio consumo e de muitos familiares. A água ele tem armazenada da chuva (claro que numa caixa de água muito bem fechada devido ao mosquito da dengue). Assim segue a vida, gosta de ler, jogar um baralho, dormir cedo e quando pode, desce até a “costa do Rio Uruguai” para verificar se está tudo certo por lá (tem uma pequena casa de veraneio em Três Pedras, Novo Machado). Até pouco tempo atrás tocava violão, mas parou pois os “dedos estão duros”.

Lembra de muitas coisas de sua época, de como as coisas mudaram, porém aceita, pois  “é assim mesmo”. Tem algumas coisas que não gosta hoje, como a falta de respeito existente em alguns lugares e também a roubalheira que tem “lá em cima” (quando fala de Brasília).Tem alguns probleminhas que a idade traz,entre eles a limitação de ouvir, o que o incomoda em ambientes com barulho, principalmente, devido aos aparelhos auditivos. Não se queixa e mesmo algumas vezes não entendendo tudo, responde com um sorriso sereno, do alto de seus 90 anos.

Sempre aconselha aos que o rodeiam: “-Trabalhem bastante, mas não se esqueçam de aproveitar”. Sendo pai,avô e bisavô, sabe que a vida vai passando e que tudo se encaixa no seu devido tempo.

Muitos de nossos antepassados e os “avós” que ainda (e graças a DEUS) continuam conosco, tiveram uma trajetória semelhante. Tiveram parte da vida no interior e depois  vieram para nossas cidades, onde tem mais recursos e assistências necessárias. O bonito destas histórias é o vínculo sentimental com a terra, pois o contato com ela os parece deixar ainda mais vivos e cheios de energia, para nos ensinar que fizemos parte dela.

Por Julio Mattiazzi

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