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A crônica de Clóvis Medeiros: Reflexões sobre o frio

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Reflexões sobre o frio

Escrevo esta crônica numa terça feira, dia 27, portanto antes de se efetivar ou não a previsão de intenso frio nos próximos três dias, principalmente no Sul do Brasil. Alguns Institutos de Meteorologia até previram que a temperatura poderá chegar aos dez e até quinze graus negativos. Sou prudente quanto a acreditar de forma incondicional nessas previsões. Creio e acredito que teremos as mais baixas temperaturas do ano nos próximos dias, mas daí a presenciarmos o frio mais intenso dos últimos 50 anos, me parece catastrofismo, alarmismo, engodo. Talvez eu pense assim de forma aleatória, pessoal, sem embasamento científico. E pode haver uma explicação. Detesto o inverno, não gosto do frio.

As paisagens cinzas de inverno são deprimentes, tristes, incitam o tédio. As pessoas andam curvadas, apressadas, mal humoradas.Os ventos cortantes obrigam as pessoas andarem com agasalhos até o pescoço, aparecem botas que estavam no guarda roupa há séculos, casacos de lã exalam cheiro de naftalina. Surgem gorros ridículos que fazem com que muitos pareçam russos, em plena Sibéria. Para mim, no entanto, esse é o lado bom porque consigo uma desculpa plausível para ocultar minha grotesca careca.

Há poucos dias meu irmão, que mora no Estado de Tocantins, me falou que por lá estava bem frio. Não momento da ligação telefônica, os termômetros marcavam 23 graus., na Lagoa da Confusão. Inédito para a cidade em que ele mora. As pessoas estavam procurando roupas mais grossas para enfrentarem o “frio”. Imaginem os moradores daquele Estado chegando aqui no Sul, nesta semana! O nosso inverno é o mais rigoroso do país e o mais longo.

O frio induz ao recolhimento e este à reflexão. O inverno me faz desfilar memórias de uma infância difícil. O frio me faz lembrar o banho frio, não havia luz elétrica onde e quando nasci. Lembro do frio que suportava para me deslocar até um pequeno colégio, distante quatro quilômetros, ao qual ia e voltava à pé, com geada ou sem geada. Lembro do cheiro de fumaça do velho fogão à lenha, onde disputávamos um lugar mais próximo do fogo para nos aquecermos. Lembro do gado encolhido, pelo arrepiado de frio. Os cachorros procuravam a casa em busca de um lugar um pouco mais quente. Dormiam dois irmãos na mesma cama devido a escassez de cobertas.

E hoje lembro também daqueles que estão disputando um espaço numa calçada fria ou numa casinha miserável. Trapos molhados, enfrentando o frio com jornais velhos, caixas de papelão. Muitas vezes sonhando com um prato de sopa. A vida é dura. Mais dura para muitos desprovidos da sorte, fracassados pelas circunstâncias. O inverno vem agravar essa triste situação.

Gosto da Primavera, ela significa o fim da hibernação, simboliza vida, brotação, flores, cores, energia, natureza, Sol. Gosto do Sol, do calor, da luz, do renascer.

Clóvis Medeiros

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